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Lágrimas infantis: como a decepção da derrota do Brasil afeta as crianças

Redação Alagoa Nova Já | 9.7.14 | 0 comentários

Psicanalista e psicóloga ingantil Idáira Amoretti fala sobre a dor dos meninos e meninas com o fiasco da Seleção



As imagens de crianças chorando no Mineirão terça, com a derrota brasileira para a Alemanha, correram o país. Visivelmente, o 7 a 1 abalou diretamente os garotos e garotas do Brasil. O mesmo ocorreu em outras Copas, diante do insucesso da Seleção, mas não com tanta força. Perder de goleada é diferente, dói mais, ainda mais para as crianças, que na sua maioria nem sequer sabem o que é ser derrotado.

Em entrevista, a psicanalista e psicóloga infantil Idáira Amoretti fala sobre como os pais devem reagir ao resultado na conversa com os filhos e dá um puxão de orelha nos adultos.

Como uma derrota dessas pode atingir as crianças?

A sensação para as crianças é de humilhação. Porque além de sermos o país sede, somos o que tem mais títulos. E as crianças estavam com a expectativa, principalmente as crianças que não viram o Brasil ser campeão ainda, que são as crianças de 2002 para cá. É esse o público que vai ser mais atingido. Pela idade menor e por nunca ter a oportunidade de comemorar um campeonato. O impacto foi muito rápido. Foram 30 minutos do primeiro tempo, o que fez com que as crianças não conseguissem digerir o que estava acontecendo. Acho que vai levar alguns dias para que consigam digerir.

Por que as crianças se abalam tanto?

Pela questão do patriotismo que, no nosso país, infelizmente aparece só nesse momento. Então, nesse momento que o brasileiro resolve exaltar que ama a sua pátria e acontece uma situação como essa, é como se jogasse um balde de água fria no seu patriotismo.

Que dicas você daria para os pais?

Conversar seria importante, e colocar que isso é um jogo. Não significa que os jogadores eram ruins ou que a Seleção era ruim. Ter alguém melhor não significa que você é ruim. Vamos ter outras Copas, você vai vivenciar outras Copas, as crianças vão vivenciar outras Copas. Outras histórias serão escritas, nem sempre boas, nem sempre ruins. Assim é a vida. Acho que é preciso conversar, deixar a criança falar dos seus sentimentos. O adulto precisa dizer para a criança que ninguém é infalível, que agora é tocar para frente.

Em que tipo de reação os pais têm de prestar atenção nos próximos dias?

Provavelmente, haverá dificuldade de sono, perda de apetite e uma tristeza visível. Os pais devem acompanhar, estar sempre por perto. Os pais devem mudar o clima depois de conversar sobre o assunto. Começar a conversar sobre as coisas da vida, voltar à rotina, planejar as férias de julho. Depois de conversar e expor os sentimentos, é tocar a vida pra frente. Não ficar mais alimentando e dando importância a algo que no dia a dia não vai mudar a vida de ninguém.



por Ânderson Silva

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