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Ausência, saudade e comércio

Redação | 1.11.12 | 0 comentários



O dia 1° de novembro é o Dia de Todos os Santos, é uma oportunidade para reforçar o sentimento de saudade, prestar uma homenagem a alguém querido que já faleceu, para a Igreja Católica é o momento de celebrar a vida.

No Cemitério São Miguel em Alagoa Nova, a movimentação se torna mais intensa no período da noite, embora desde as primeiras horas da manhã o espaço esteja aberto à visitação. Além de enfeitar os túmulos com flores, acender velas também é uma tradição. Toda véspera de finados vêm pessoas em grupos familiares, em grupos de amigos ou solitários, que rezam pela partida inevitável de seus entes queridos. 

Muitas pessoas não seguram a emoção e choram de saudades, como é o caso da professora Gisele Teixeira que chora a morte prematura do marido, o professor Alan Romel, vítima de acidente automobilístico. Para Gisele e a filha Áshera manter a memória de Alan viva é entrar no mundo dos bons momentos juntos e dos poemas deixados pelo esposo. Assim também é silêncio e as lágrimas da família da professora Rejane Lima, que morreu vítima de um possível erro médico quando fazia duas cirurgias plásticas no ano passado, ou ainda o choro copioso de Vanda Galdino que sofre a perda da jovem neta Melane, assassinada pelo ex-namorado, também tem o solitário de dona Ana que perdeu o companheiro há menos de trinta dias. Seja qual for à causa da morte é motivo de dor, de saudade e ausência para todos.

O Cemitério está aberto desde às 8h:00min da manhã e permanecerá assim até às 22h:00min. Reabrindo amanhã, Dia de Finados, no mesmo horário. Haverá duas missas marcadas, uma as 8h:00min e outra às 19h:00min, na Matriz de Santana. A tradição das missas serem no Cemitério foi mudada desde o paroquiato de padre Assis Meira. Mas a celebração deve contar com muita participação como vem acontecendo anterior a essa data.

Além desse momento delicado, há também o lado comercial. Comerciantes informais aproveitam para ganhar uma renda extra. Todos os anos, na Praça Padre Ibiapina, em frente ao cemitério, são montadas diversas barracas com de flores naturais e artificiais, coroas de flores variadas, velas, terços e até barracas de lanches. No entanto, as artesãs que trabalham neste ramo, que se preparam durante o ano inteiro com os mais diferentes artesanatos se queixam que essa tradição começa a perder força e muito material não é vendido. “As visitas de certa forma tendem a diminuir, principalmente porquê as pessoas de mais condições costumam viajar para o litoral”, falou Vera Lúcia, uma das mais antigas vendedoras de flores naturais.  

Ademir Martins, dono de uma funerária local, que trabalha num momento difícil como a morte, diz que essa data em sua memória lança um filme das pessoas que já atendeu e que procura ser o mais delicado e natural possível para poder manter as famílias mais a vontade, porque esse momento é inevitável para qualquer pessoa, então procura fazer ser o menos doloroso. Gedi, uma vendedora de plano assistencial, trouxe uma equipe oferecendo promoção para o plano e na praça fazia aferição de pressão arterial. "Seja como for é um momento para que as pessoas se unam em torna de pedir pela alma de seus entes", frisou ela.

Silvanna Ramos

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